quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Globalização e exclusão: África

Vivem atualmente no continente africano cerca de 800 milhões de pessoas (2001) . Existem aí
também 54 nações independentes e um território colonizado, que deseja se tornar independente: o Saara Ocidental, controlado pelo Marrocos. A Namíbia, sob domínio da África do Sul até 1990, e a Eritréia, que pertencia à Etiópia até 1993, foram os últimos países africanos a alcançar a independência.
Próximo ao litoral africano, há também um grande número de ilhas que pertencem a países de
outros continentes. É o caso, por exemplo, de Açores e Madeira, pertencentes a Portugal; das Canárias, pertencente à Espanha; e de Santa Helena, pertencente à Inglaterra.
O grande problema africano é a pesada herança colonial. O subdesenvolvimento atual desse
continente, os conflitos entre seus povos e as enormes desigualdades sociais internas só podem ser entendidos pelas grandes modificações aí introduzidas pelos colonizadores europeus .
A dominação européia na África teve início no século XV. Ela foi conseqüência da expansão
marítimo-comercial empreendida a partir daquela época pelos países europeus.
Foi a partir do século XV que os europeus foram dominando a África e se apropriando de seus
territórios. No início, eles estabeleceram postos comerciais ao longo do litoral africano, nos oceanos Atlântico e Índico, pois a África é o ponto de passagem para os navios que vão da Europa para a Ásia.
Depois, com a colonização do continente americano, raptavam negros e os traziam para o Novo Mundo para trabalhar como escravos nas plantações e nas minas de ouro e prata.
Assim, até o século XIX, os europeus realizaram trocas comerciais com os povos africanos.
Essas trocas eram vantajosas para os europeus: eles forneciam bens manufaturados e especiarias
vindas da Índia, como pimenta-do-reino, noz-moscada, canela, cravo etc., e recebiam de volta escravos e produtos como marfim, peles, madeiras nobres etc. Esse tipo de comércio, denominado escambo, era realizado com diversas tribos africanas. Essas tribos inclusive davam aos europeus, em troca de produtos, os negros que conseguiam em guerras, invasões e destruição de aldeias de outras tribos.
No século XIX, com a independência das colônias americanas e com o grande desenvolvimento
econômico europeu provocado pela Revolução Industrial, a Europa começou a colonizar a África. Assim, nações européias importantes na época dividiram entre si o continente africano. Essa divisão ou partilha não foi tranqüila nem definitiva: houve guerras e conflitos, terras de uma metrópole formam tomadas por outra, etc.
Tudo isso ocorreu, porém, sem que fossem levados em consideração os interesses dos africanos.
A única coisa que pesava nesse processo de dominação era o poderio militar das potências européias.
Nisso tudo, os africanos tinham apenas que se adaptar aos novos colonizadores. Tornavam-se
“belgas”, “alemães”, “ingleses”, praticamente sem nenhum dos direitos que os cidadãos desses países possuíam, mas com todos os deveres, inclusive o de lutar nas guerras deflagradas pelos colonizadores.
Essa nova etapa européia, com a partilha e a colonização não somente da África mas também do
continente asiático, com exceção do Japão, marcou a economia mundial dos séculos XIX e XX. Ela foi diferente do colonialismo ocorrido anteriormente e costuma ser denominada imperialismo.
Este novo colonialismo ou imperialismo foi motivado pela intensa industrialização que ocorria na
Europa, pois a grande quantidade de produtos industrializados exigia um número cada vez maior de pessoas que pudessem comprá-los. Ao mesmo tempo as indústrias européias necessitavam de mais matérias-primas para produzi-los. Essa nova expansão teve, portanto, como um de seus objetivos a abertura de novos mercados, para que os países europeus pudessem vender seus produtos e comprar matérias-primas.
Nessa época, a Europa passava também por intenso crescimento demográfico e, por isso,
necessitava de novas terras onde pudesse colocar a população “excedente”, que não era absorvida naquele momento pelas atividades econômicas.
Com as duas guerras mundiais, ocorreu o enfraquecimento das potências européias e o fortalecimento das novas superpotências mundiais: os Estados Unidos e a União Soviética. Com isso, a partir do final da Segunda Guerra, a África e a Ásia passaram por um processo de descolonização. Assim, em duas ou três décadas, a maioria das colônias adquiriu sua independência.
Apesar de as nações africanas terem se tornado independentes, são inúmeras as marcas da
dominação colonial européia que permanecem até hoje nesse continente.
Os colonizadores impuseram aos africanos um modelo de economia dependente, subordinada
ao mercado internacional capitalista. Antes da colonização, a economia desses povos era auto-suficente, ou seja, eles produziam praticamente tudo aquilo de que necessitavam e quase não recorriam a trocas comerciais. Eram basicamente economias agrícolas e de subsistência. Os colonizadores destruíram essas economias e no seu lugar implantaram uma economia comercial, seja agrícola ou mineral, voltada para o mercado externo, isto é, para atender às necessidades dos países desenvolvidos.
Para estabelecer essa economia comercial, os colonizadores organizaram grandes plantações,
onde se cultivava apenas um gênero agrícola. Essas plantações baseavam-se também no uso intenso de mão-de-obra mal remunerada e eram voltadas para o fornecimentos de produtos tropicais ao mercado internacional, como amendoim, cacau, algodão, café, cana-de-açucar, chá, etc. Esse tipo de exploração da terra recebeu o nome de plantation.
O melhores solos, como é óbvio, foram utilizados para essas grandes plantações coloniais,
ficando os piores para o cultivo de alimentos para a população local. Essa prática acabou perdurando mesmo depois da independência dos países africanos, pois suas economias já estavam voltadas para a exportação de produtos agrícolas e isso dava lucros para a minoria privilegiada que assumiu o governo, substituindo os colonizadores.
Embora a África produza alimentos para exportação, um dos grandes problemas que os povos
africanos enfrentam atualmente é o da alimentação da população em geral.
Para muitas pessoas, a imagem do continente africano e de seu povo confunde-se com a imagem do escravo forte, dócil, inferior e preguiçoso. Reunindo características fictícias dos negros, os
brancos formaram uma ideologia que prega a inferioridade da raça negra em relação aos brancos, servindo par justificar a escravidão e, posteriormente, o racismo que sobrevive ainda hoje na segregação dissimulada, que procura impedir aos negros a concretização de seus direitos fundamentais, segundo o princípio da igualdade natural de todos os seres humanos.
A África apresenta uma grande variedade étnica e cultural, constituída por centenas por grupos étnicos diferentes, cada um com sua religião, língua e cultura. Devido á sua heterogeneidade costuma-se essa população em dois conjuntos, separados pelo grande deserto, o Saara.
· África branca, onde predominam os descendentes da população árabe e a religião islâmica. É composta pelos países: Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos, Saara Ocidental e Mauritânia. Localiza-se portanto, ao norte do Saara.
· África negra, que se estende-se do Saara para o sul, onde habitam numerosos grupos raciais, destacando-se sudaneses, pigmeus, etíopes e os bantos. É a porção da África mais populosa, com predomínio dos povos negros e seguidores de ritos fetichistas.
Além desses grupos aparecem no extremo sul do continente os brancos europeus (África do Sul).